O aumento da demanda do comércio eletrônico tem impulsionado a construção de galpões e condomínios logísticos visando dar mais agilidade e solucionar gargalos nas entregas. Mas são tantos galpões e condomínios em obras que o setor enfrenta um outro gargalo: o da falta de materiais de construção e a alta dos preços.
Diante do aquecimento da demanda em um setor que não parou, mesmo na pandemia, a inflação de materiais e equipamentos da construção civil chegou a 6,99% no período de junho a setembro. Nos primeiros cinco meses do ano, a alta havia sido de 2,75%, segundo o índice INCC-materiais e equipamentos, da Fundação Getúlio Vargas.
Para não comprometer o cronograma de obras, as construtoras têm tentado driblar a alta nos preços e a falta de insumos antecipando pagamentos e voltando a fazer estoque, o que acaba gerando ineficiências e pressionando ainda mais os preços.
No artigo de hoje vamos explicar mais sobre essa relação entre o mercado de galpões e a alta no preço dos insumos. Vale a pena conferir!
Materiais de construção registraram alta acumulada recorde de 32,92% no período de julho de 2020 a junho de 2021, segundo o INCC-DI (Índice Nacional de Custo da Construção – Disponibilidade Interna), apurado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Ao incluir o custo de mão de obra e de serviços, a alta registrada é menor, de 17,34%, mas ainda muito acima da inflação oficial (8,35%).
De acordo com o estudo, os 10 materiais de construção que mais subiram de preço no período foram: Tubos e conexões de ferro e aço: alta de 91,66%; Vergalhões e arames de aço ao carbono: 78,35%; Condutores elétricos: 76,19%; Tubos e conexões de PVC: 64,91%; Eletroduto de PVC: 52,06%; Esquadrias de alumínio: 35,21%; Tijolo/telha cerâmica: 33,82%; Compensados: 30,47%; Cimento portland comum: 27,62%; Produtos de fibrocimento: 26,96%. Dados do INCC/Sinapi (Índice Nacional da Construção Civil), apurados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que o custo do m² da construção chegou a R$ 1.421,87 em junho, sendo R$ 829,19 de materiais e R$ 592,68 de mão de obra.
Pela 1ª vez, o aumento de preço dos materiais de construção foi apontado por construtoras como o maior empecilho para o desenvolvimento do negócio. Cerca de 36% das empresas ouvidas nas pesquisas informaram que o encarecimento da matéria-prima foi o principal limitador dos negócios.
Alguns materiais de construção tiveram aumentos expressivos desde o começo do ano e chegam até mesmo a faltar nas lojas, ainda que momentaneamente. Esse cenário impacta tanto a vida do brasileiro comum, que resolveu fazer pequenas reformas na casa, quanto a de grandes empresas de construção civil.
As razões para o aumento dos preços são variadas. Alguns itens, como aqueles que têm cobre, sofrem o impacto do câmbio: o produto é uma commodity, é importado e o real está desvalorizado perante o dólar. Cimento e aço tiveram a produção interrompida durante o início da pandemia e as atividades retomadas não alcançaram o patamar produtivo anterior à crise sanitária.
As indústrias, especialmente de cimento e aço, diminuíram a produção, como reflexo natural das ações de mitigação dos efeitos do coronavírus. A CBIC aponta que o problema foi a indústria ignorar os sinais do setor, que já demandava mais materiais desde maio, e não acompanhar essa etapa da retomada, o que acabou levando a um aumento dos preços.
Agora tem um duplo problema: retomar a produção e refazer o estoque. No entanto, o setor teme que os preços não caiam ao longo dos próximos meses e tragam à tona a memória inflacionária, em que há sucessivos reajustes de preços provocados por repasses dos aumentos que não são absorvidos pelo setor.
Os principais problemas estão relacionados aos preços do cimento, aço, PVC e cobre. No caso do cobre, a explicação é que o produto é importado e o câmbio força o aumento. Em relação ao PVC, embora o Brasil possua várias empresas que produzem tubos e outros materiais, só há uma empresa que refina a matéria-prima, o que encarece.
A bronca maior do setor é com o custo do cimento e do aço. Nos dois casos, o argumento gira em torno da produção abaixo da capacidade e de questões técnicas, como o desligamento dos altos-fornos da indústria siderúrgica. O setor cimenteiro afirma que a produção foi fortemente atingida por causa da pandemia, o que levou a uma queda de até 80% no consumo de aço no país, principalmente em abril, quando o setor automotivo parou e a área de bens de capital se retraiu.
Com apenas a construção civil demandando produtos, foi preciso adaptar a produção, já que a indústria siderúrgica passou a operar com 42% da capacidade instalada por falta de demanda. Além dessa questão, o custo dos insumos da indústria subiu: minério de ferro, sucata e carvão são dolarizados e foram afetados pelo câmbio, já que o real perdeu valor em relação ao dólar.
O isolamento social decorrente da pandemia de COVID-19 obrigou muitas pessoas a comprar ainda mais no comércio eletrônico, aumentando o faturamento do setor. Impulsionadas por essa demanda, as empresas, principalmente de varejo e e-commerce, aumentaram suas áreas de galpões logísticos.
Ao que tudo indica, o hábito de comprar online deve permanecer, e o mercado de galpões logísticos seguirá aquecido nos próximos anos. Dados da JLL apontam que a tendência de aumento da área locada em galpões pelas empresas de comércio eletrônico. Grandes empresas do comércio eletrônico ainda estão procurando grandes áreas por todo o Brasil, o que deve ser traduzido nos em mais área alugada.
No entanto, o aumento da demanda por centros logísticos em razão do comércio eletrônico tem impulsionado a construção de galpões e condomínios logísticos visando dar mais flexibilidade, agilidade e segurança às entregas. Porém, a alta dos preços e a escassez de alguns materiais de construção têm atrasado a entrega e as obras em muitos galpões e condomínios. Ou seja, as grandes indústrias de insumos estão praticando preços de mercado praticados no exterior e como os preços estão subindo em uma velocidade que é impossível acompanhar, construtoras estão correndo um risco de poucos lançamentos, um aumento significativo na taxa de juros para os financiamentos imobiliários e até um desabastecimento de imóveis novos.
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